A (IM)POSSIBILIDADE DA RESPONSABILIDADE CIVIL DOS ADVOGADOS POR LITIGÂNCIA PREDATÓRIA NOS JUIZADOS ESPECIAIS E O DIREITO DE ACESSO À JUSTIÇA
2025 | Graduação
Geovana do Coni Brandão
Este trabalho tem por objetivo analisar a (im)possibilidade de responsabilização civil
de advogados pela prática de litigância predatória no âmbito dos Juizados Especiais,
à luz do princípio constitucional do acesso à justiça e das garantias fundamentais ao
exercício da advocacia. A litigância predatória caracteriza-se pela utilização massiva
e estratégica do sistema judicial de forma abusiva ou fraudulenta, visando a obtenção
de vantagens econômicas indevidas, o que sobrecarrega a máquina judiciária e
compromete sua eficiência e celeridade. Nesse cenário, emerge a tensão entre a
necessidade de reprimir condutas processuais ilícitas mediante a responsabilização
civil para reparação de danos e a preservação de direitos fundamentais, como o livre
exercício da advocacia e o acesso à justiça. A responsabilidade civil do advogado
insere-se no campo da responsabilidade subjetiva, exigindo a comprovação de dolo
ou culpa, além dos demais pressupostos tradicionais da responsabilidade civil. A
pesquisa busca delimitar juridicamente o fenômeno da litigância predatória,
distinguindo-o da litigância repetitiva legítima, cuja objetiva a defesa de direitos
coletivos massificados. Para tanto, examina-se os principais marcos normativos
recentes, com especial atenção à Resolução nº 159/2023 do Conselho Nacional de
Justiça e o Tema 1.198 do Superior Tribunal de Justiça. Trata-se de uma pesquisa de
natureza qualitativa, com abordagem bibliográfica, fundamentada em doutrina,
jurisprudência especializada, artigos científicos e trabalhos acadêmicos nos campos
do Direito Civil e do Direito Processual Civil. Utiliza-se o método hipotético dedutivo, a
partir da formulação de hipóteses que são examinadas e testadas ao longo da análise.
Ao final, propõem-se critérios que permitam a responsabilização de condutas
efetivamente ilícitas, sem que isso represente obstáculo indevido ao acesso à justiça
ou restrição à liberdade profissional da advocacia. O estudo busca, assim, oferecer
uma contribuição crítica e ponderada à compatibilização entre o enfrentamento da
litigância predatória e a preservação das garantias constitucionais.
Palavras-chave: Litigância predatória; Acesso à justiça; Responsabilidade Civil do
advogado; Juizados Especiais; Ética profissional.