O TRABALHO ENQUANTO FENÔMENO SOCIAL NA OBRA “JUBIABÁ”, DE JORGE AMADO: UMA LEITURA CONTRA HEGEMÔNICA DO DIREITO A PARTIR DA LITERATURA
2025 | Graduação
Vanessa Maria de Oliveira Borges
Este trabalho, situado no campo da Sociologia Jurídica e do movimento Direito e
Literatura, investiga de que modo a literatura pode operar como instrumento contra
hegemônico na interpretação do Direito do Trabalho. Para tanto, toma-se Jubiabá, de
Jorge Amado, como objeto analítico privilegiado, a fim de demonstrar como a ficção é
capaz de evidenciar contradições estruturais entre capital e trabalho, revelar
experiências subalternizadas e tensionar a racionalidade jurídica dominante. Partindo
da premissa de que a literatura constitui uma forma simbólica de conhecimento e um
espaço de produção de sentidos sociais, a pesquisa sustenta que ela amplia o
horizonte crítico do pensamento jurídico ao desvelar dimensões humanas, morais e
políticas que a dogmática tende a silenciar. A hipótese orientadora propõe que a
narrativa amadiana expressa uma resistência estética e política às formas jurídicas
hegemônicas, restituindo centralidade à figura do trabalhador enquanto sujeito
histórico. De natureza teórica e bibliográfica, a investigação adota abordagem
qualitativa e método hipotético-dedutivo, articulando categorias da Sociologia do
Trabalho e da teoria crítica — especialmente Marx, Lukács, Gramsci, Fraser e Adorno
— para compreender o trabalho como categoria ontológica e campo permanente de
conflito social. Conclui-se que a literatura, ao representar o trabalhador em sua
integralidade humana e histórica, contribui para a reconstrução crítica do Direito,
recolocando dignidade, reconhecimento e emancipação como fundamentos de uma
justiça social substantiva.
Palavras-chave: Direito e Literatura; Sociologia Jurídica; Trabalho; Jorge Amado;
Contra-hegemonia.