REFLEXÕES ANALÍTICAS DA PARTICIPAÇÃO DO ENTE PRIVADO NA GESTÃO DO SISTEMA PRISIONAL COMO INSTRUMENTO DE FOMENTO AO PRINCÍPIO DA HUMANIZAÇÃO DAS PENAS

2025 | Graduação

Laura Moraes Ramos Matos Santos

O presente trabalho tem como objetivo analisar a participação do ente privado na gestão do sistema prisional brasileiro, investigando os fundamentos jurídicos, limites de atuação e impactos dessa cooperação na efetividade da execução penal e na concretização do princípio da humanização das penas. Considerando o cenário de crise estrutural e institucional do sistema, marcado pela superlotação, precariedade das condições carcerárias e pela ineficiência na aplicação da Lei de Execução Penal, a pesquisa busca compreender se a atuação da iniciativa privada, pautada na eficiência administrativa e na transparência, pode contribuir para o aprimoramento da execução penal sem desvirtuar a titularidade estatal do jus puniendi. A metodologia adotada é de natureza qualitativa e analítica e utiliza-se o método hipotético dedutivo, propondo, inicialmente a análise histórico-jurídica sobre o surgimento do direito penal como mecanismo de regulação de condutas e do exercício do poder punitivo estatal, destacando a evolução da pena privativa de liberdade e sua consolidação como resposta à contenção da criminalidade. Examina-se, ainda, como a expansão desse poder ao longo do tempo influenciou na estruturação de um modelo prisional seletivo, desigual e distante da finalidade ressocializadora, de modo a ocasionar entraves à efetividade da pena. Sob o panorama da crise carcerária, a pesquisa busca demonstrar a ineficiência de políticas públicas voltadas à execução penal, bem como a necessidade de fiscalização adequada e integração entre os órgãos responsáveis. Nesse contexto, analisa-se o Estado de Coisas Inconstitucional, que expressa a violação generalizada e contínua dos direitos fundamentais das pessoas privadas de liberdade. Os modelos de gestão prisional como a Parceria-Público-Privada, Cogestão e APAC são apresentados com base em parâmetros constitucionais e legais que regulam a delegação de atividades administrativas. As bases normativas utilizadas incluem a Constituição Federal/88, a Lei de Execução Penal, Lei 11.079, dentre outras, bem como documentos, relatórios e dados estatísticos fornecidos pelo CNJ, CNPC, CPIs. Os resultados da pesquisa indicam que a atuação privada, quando submetida a controles eficazes, pode promover melhora exponencial na gestão prisional para a garantia da dignidade humana. Esse trabalho contribui para o aprofundamento da compreensão sobre os benefícios jurídicos, éticos e gerenciais da atuação privada no âmbito prisional e os desafios vividos para o combate à crise do sistema, com a consequente construção de um modelo prisional mais racional, ético e de acordo com os princípios constitucionais. Palavras-chave: sistema prisional, ente privado, poder punitivo, humanização das penas, estado de coisas inconstitucional, delegação.